Guia completo sobre logística reversa para transportadoras

12 minutos para ler

A temática da logística reversa tem conquistado espaço nos últimos anos em organizações de diversos setores. Essa é uma tendência que mobiliza fabricantes, distribuidores, varejistas e, acima de tudo, profissionais de transporte para a execução desse processo.

A logística reversa é, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio. Sob essa ótica, a transportadora que possibilita o retorno das mercadorias desenvolve um diferencial estratégico. Por outro lado, ainda há muitos obstáculos para o funcionamento desse tipo de serviço.

Pensando nisso, criamos este guia para demonstrar como essa atividade funciona na prática e como as empresa só tem a ganhar quando implementam esse tipo de iniciativa. Prossiga com a leitura para conhecer todos os detalhes!

O que é logística reversa?

Em termos simples, esse conceito é uma parte essencial do processo de distribuição de mercadorias. Esse fluxo, também chamado de logística inversa ou logística reversível, lida com o fluxo de produtos desde o seu ponto de consumo ou entrega até o seu local de origem.

Esse é um nicho que vem crescendo desde que a Lei 12.305/10 entrou em vigor e instituiu a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Esse instrumento determinou regras para a coleta e a destinação de resíduos sólidos provenientes do setor empresarial.

Essa foi uma mudança importante, pois apontou fabricantes, distribuidores e varejistas como responsáveis pelos materiais descartados após o consumo com o intuito de minimizar o seu impacto na sociedade e no meio ambiente.

Como funciona essa tendência?

Em primeiro lugar, é importante compreender que existem duas categorias distintas dentro da logística reversa. Essa separação tem impacto direto na prestação dos serviços de transporte e deve ser levada em consideração durante a fase de planejamento logístico da atividade.

Logística reversa pós-venda

Esse aspecto é bastante comum no comércio virtual, no qual o cliente tem o direito de trocar ou devolver os produtos adquiridos em caso de arrependimento. Por isso, os varejistas criam soluções para que o comprador possa entrar em contato e dar início ao processo de devolução.

Há também tratativas que lidam com o comércio entre fabricantes e seus clientes. Por exemplo, ao adquirir um componente para a sua linha de produção, o cliente pode ter recebido o produto com as especificações incorretas ou em quantidades diferentes da encomenda. Esse é um problema que ocorre com frequência durante a etapa de separação de pedidos.

Quando isso acontece, a solução é notificar o remetente da situação que, por sua vez, organizará a coleta do pedido junto à transportadora para garantir o retorno da mercadoria.

Há também situações em que o produto não chegou ao seu destino, seja por extravio ou por danos a mercadoria. Nesse caso, o cliente tem o direito de cancelar o pedido e a transportadora será responsabilizada pela restituição financeira do produto.

Logística reversa pós-consumo

Já na etapa de pós-consumo, não estamos falando do produto em si, mas sim do resíduo produzido após a sua utilização. Pense em uma pilha comum, um material serve como fonte de energia em diversos equipamentos nas nossas casas. Porém, quando a sua durabilidade acaba, ela se torna um resíduo.

Apesar da sua utilidade, a sua composição conta com metais pesados, como cádmio e chumbo, e outras substâncias extremamente tóxicas. Por isso, o seu descarte deve ser feito de forma regulamentada por instituições credenciadas para manusear e processar esse tipo de material.

Devido à sua complexidade e aos requisitos de segurança, esse é um setor que ainda pode ser explorado por empresas que têm o interesse de ingressar nesse nicho com o intuito de realizar o descarte correto desses materiais.

Quando é feita?

Alguns setores da indústria e do comércio são exigidos por lei a destinar corretamente as suas embalagens, resíduos e outros componentes. Isso ocorre porque esses materiais podem causar danos à natureza e a saúde.

Há também casos em que a logística reversa faz parte de uma estratégia para melhorar a imagem da empresa por meio de projetos socioambientais. Existem diversas vertentes da logística reversa que atendem a propósitos diferentes dentro da cadeia de suprimentos. Entre elas estão:

  • Retorno de embalagens: ocorre com as garrafas de bebidas chamadas de retornáveis, assim esse material não é desperdiçado e retorna ao processo produtivo. O mesmo se aplica aos vasilhames de pesticidas utilizados na produção agrícola. Devido ao alto grau de toxicidade desses produtos, os fabricantes devem disponibilizar aos agricultores alternativas para a destinação correta das embalagens.
  • Reciclagem e reutilização: o modelo de reciclagem prevê o reaproveitamento de materiais por meio do seu retorno ao fabricante. O Brasil é referência mundial na reciclagem de latas de alumínio e o material coletado reduz a necessidade de exploração desse metal.
  • Reparação e refabricação de produtos: os equipamentos eletrônicos também requerem cuidados especiais quanto à sua destinação. Nesse caso, é possível realizar o aproveitamento de peças em componentes para realizar reparos ou aplicá-los novamente no processo produtivo.

Quais são as principais vantagens?

Nos últimos anos, o mercado consumidor tem ampliado cada vez mais o seu poder de compra o que, aliado à ampla oferta do varejo, resulta em um consumo exacerbado. Todos esses produtos são, posteriormente, descartados e substituídos pela versão mais moderna.

Por isso, a proposta da logística reversa na fase de pós-consumo traz consigo vantagens indispensáveis para a conquista de um equilíbrio na relação entre fabricantes e o meio ambiente.

Amplia iniciativas de sustentabilidade

A sustentabilidade surgiu como uma maneira de repensar os modelos de negócio vigentes até então. O seu objetivo é identificar como é possível restaurar o equilíbrio entre a produção industrial e a relação com a natureza.

Para isso, é preciso enxergar além do fluxo de extração, fabricação, consumo e descarte para criar meios de destinar corretamente os resíduos. Essa mudança na percepção das empresas e dos clientes representa uma vantagem significativa tanto para a sociedade como para a imagem do negócio.

Conquista a preferência do mercado

As empresas estão cada vez mais rígidas quanto à escolha de seus fornecedores e prestadores de serviço. Por isso, o fechamento de um contrato vai muito além da negociação de preços e da qualidade do atendimento.

No caso da logística reversa, é importante demonstrar uma cultura voltada para a sustentabilidade dentro da transportadora. Uma das formas de construir uma imagem positiva junto ao mercado é por meio de iniciativas que:

  • reduzem o desperdício de materiais de escritório;
  • incentivam a economia de água e energia;
  • propõem a reciclagem e a destinação correta do lixo.

Representa uma oportunidade de negócio

Diversificação é a palavra-chave para que uma transportadora possa ser bem-sucedida no seu ramo de atuação. Essa é uma forma de gerar novas fontes de receita por meio de um nicho que só tem a crescer nos próximos anos.

Quando os fabricantes e comerciantes começam a focar na operação de logística reversa, a participação de um operador logístico confiável é imprescindível. Além disso, essa prestação de serviços requer poucas mudanças nos processos de trabalho.

Por exemplo, uma transportadora contratada para o envio de produtos químicos industriais já dispõe da expertise para manusear, armazenar e transportar esse tipo de material com segurança.

Quais são as etapas da logística reversa?

Sob o ponto de vista comercial, cada transportadora tem particularidades quanto à execução desse processo. Além disso, a natureza do material, as suas características e a forma de destinação variam consideravelmente. Por esse motivo, nós criamos uma lista geral com as etapas que podem ser implementadas de acordo com a realidade da sua transportadora.

Em primeiro lugar está o local de armazenamento. Em geral, os materiais descartados não seguem imediatamente para o descarte. A empresa de transporte pode acumular os produtos para ser capaz de lotar um veículo antes de seguir viagem. Por isso, é importante designar um espaço adequado.

Pneus, por exemplo, não podem ficar expostos a intempéries, devido ao risco de proliferação de doenças. Esse também é o caso de componentes eletrônicos de metal, que podem sofrer maior deterioração devido à ação da água. O objetivo é reaproveitar esses materiais e, para que isso seja possível, é fundamental garantir a sua conservação.

Produtos perigosos como agrotóxicos e lixo hospitalar requerem cuidado redobrado em todas as etapas de descarte. É preciso utilizar EPIs e equipamentos especiais para proteger a equipe e evitar a contaminação de outras áreas.

Além desses fatores, ainda há o interesse aprimorar o andamento do processo. Para alcançar esse objetivo organizacional, o ideal é que o gestor adote a avaliação de indicadores de desempenho para analisar a qualidade dos serviços prestados e identificar oportunidades de melhoria.

Como colocar em prática na transportadora?

Avaliar somente o retorno financeiro não gera o real engajamento de clientes e da equipe. É preciso criar uma cultura que valoriza essa iniciativa e educar o público quanto à sua importância. Essa é a forma mais eficaz de conquistar clientes nesse nicho e aumentar a sua presença no setor de transportes.

Analise a precificação dos serviços

Diferentemente do processo de distribuição, o retorno de materiais tem uma distinção importante: o preço do frete presente no documento fiscal. Para criar um preço acessível aos seus clientes e compatível com os custos da empresa de transporte, é importante mensurar o seu impacto financeiro.

Para isso, entenda a real demanda do cliente com fatores como:

  • as rotas adotadas;
  • a frequência de coleta;
  • a estimativa de custos da operação;
  • a quantidade e o peso dos materiais;
  • a necessidade de veículos dedicados.

Portanto, antecipe a etapas da gestão de entrega para analisar o impacto financeiro e o potencial de retorno para a sua organização.

Incentive os usuários finais

Quando estamos falando de materiais de uso doméstico, como pilhas, baterias e lâmpadas, a melhor forma de obter resultados é por meio de campanhas de conscientização. Por isso, faça uso dos postos de coleta para incentivar a participação e otimizar o processo de coleta.

Já no setor industrial, uma das alternativas é a devolução no ponto de venda. Comerciantes de pneus fazem uso dessa estratégia e orientam os seus clientes quanto ao serviço de devolução para o descarte correto. Por isso, a nossa recomendação é criar parcerias com essas empresas para tornar-se o prestador contratado.

Crie uma rota de coleta

No início, uma das formas de aumentar a eficiência do retorno de mercadorias, embalagens e resíduos é por meio da criação de uma rota específica. Essa prática de mercado é comum quando a transportadora é responsável tanto pela gestão da logística de distribuição quanto pela logística reversa.

O operador logístico pode optar por designar um veículo específico para a coleta dos materiais descartados em datas específicas. Isso gera uma economia nos custos das viagens, uma vez que aproveita a totalidade do espaço do compartimento de carga do caminhão.

Programe as viagens de coletas

Considere o exemplo das embalagens de produtos de limpeza industrial. Os contêineres utilizados contêm resíduos desse material e não devem ser aplicados em outras funções. Por isso, esse tipo de embalagem é considerada retornável.

Nesse caso, ao entregar o pedido mais recente, o motorista pode realizar a coleta das embalagens vazias e, assim, providenciar o seu retorno ao fabricante. Dessa forma, esse material pode ser reaproveitado e inserido novamente no processo produtivo, o que gera uma economia que beneficia toda a cadeia de suprimentos.

Gerencie as informações dos clientes

Possibilitar o retorno de mercadorias é uma atividade complexa que requer a criação de processos especiais. É preciso planejar a seleção das rotas, programar as datas de coleta e manter um fluxo de informação e controle dos materiais descartados.

Portanto, uma das soluções para garantir a sua eficiência depende de ferramentas que ajudam acompanhar a execução de cada etapa e automatizam tarefas. Além disso, um dos aspectos mais importantes é compartilhamento de informações com o contratante. Isso quer dizer que a adoção de um sistema de gestão é uma necessidade.

Por fim, gostaríamos de reforçar o papel do setor empresarial na preservação ambiental e na construção de uma sociedade cada vez mais verde. É importante que toda a cadeia produtiva compartilhe a responsabilidade de manter as suas atividades em conformidade com a legislação.

Nesse aspecto, a logística reversa é apenas uma das ações que podem ser adotadas em conjunto com comerciantes, distribuidores e fabricantes. Com o crescimento dessa tendência, é natural prever que as oportunidades de negócio têm potencial para aumentarem na mesma proporção.

Se você tem interesse em conhecer mais sobre esse modelo de negócio e outras postagens, basta curtir a nossa página no Facebook.

Posts relacionados

Deixe um comentário